Feliz ano velho
Sobre Feliz ano velho, de Marcelo Rubens Paiva
Ficha técnica
- Título
- Feliz ano velho
- Autor
- Marcelo Rubens Paiva
- Ano
- 1982
- Deficiência representada
- Deficiência física
Resenha
“não estou a fim de passar nenhuma lição. Não quero que as pessoas me encarem como um rapaz que apesar de tudo transmite muita força. Não sou modelo pra nada. Não sou herói, sou apenas vítima do destino, dentre milhões de destinos que nós não escolhemos. Aconteceu comigo. Injustamente, mas aconteceu” (Feliz ano velho)
Marcelo Rubens Paiva (São Paulo – SP, 1959) é escritor, dramaturgo, roteirista, jornalista e colunista brasileiro, cuja obra transita entre a literatura, o teatro, o cinema e a televisão. Ao longo de sua carreira, destacou-se por unir temas autobiográficos, crítica social e humor irônico, conquistando um amplo público leitor. Formou-se em Rádio e TV pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP), e posteriormente graduou-se também em Teoria Literária pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Sua formação sólida e sua vivência pessoal intensa contribuíram para moldar uma escrita sensível, crítica e profundamente conectada com o Brasil contemporâneo. Feliz ano velho (1982) foi sua porta de entrada para a literatura e começou com grandes feitos: foi um dos livros brasileiros mais vendidos na década de 1980; venceu o Prêmio Jabuti daquele ano; teve mais de 200 edições e foi publicado em diversos países. Hoje, o autor possui mais de dez livros publicados. Trata-se de um romance autobiográfico que narra a experiência do autor após um acidente que, aos 20 anos, o deixou tetraplégico. No livro, ele relata os meses de internação, o processo de recuperação e os sentimentos contraditórios ao se deparar com a realidade de que nunca mais voltaria a andar. Além disso, aborda a tragédia familiar vivida com o desaparecimento de seu pai, o deputado Rubens Paiva, uma das vítimas da ditadura militar brasileira. Em 1971, militares invadiram sua casa, levaram-no para um interrogatório, e ele nunca mais foi visto — episódio também retratado na obra. Foi muito corajoso da parte do autor, filho de uma das vítimas da ditadura, cuja mãe e irmã mais velha também foram torturadas, escrever esse livro ainda durante o período, tendo em vista que só teve fim em 1985. Mas mais do que isso, o livro traz diversos sonhos interrompidos de um jovem que perde os movimentos das pernas e é obrigado a se adaptar à nova realidade em uma época com menos visibilidade para esses assuntos e menos acessibilidade na maioria dos locais. Portanto, é também um livro de denúncia da falta de inclusão na sociedade brasileira. E, ainda, é uma história que mostra o poder da literatura, já que talvez não teríamos todas as histórias (que inclui outros livros de memórias e diversos de ficção) de Marcelo Rubens Paiva, não fosse o dia fatídico em que resolveu pular em uma cachoeira sem imaginar as possíveis consequências. Para leitores do século XXI, alguns trechos do livro podem causar estranhamento, com o uso de termos que hoje são considerados racistas ou ofensivos. Por isso, é essencial compreender o contexto histórico em que foi escrito. A leitura é valiosa justamente por preservar a memória de um tempo repressivo, contribuindo para que tais períodos não sejam esquecidos, e jamais se repitam. Por: Gabriela Tofanelo PAIVA, Marcelo Rubens. Feliz ano velho. 19ª ed. São Paulo: Arx, 2003.
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