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OLDA

O Lobo do Mar

Sobre O Lobo do Mar, de Jack London

O Lobo do Mar

Ficha técnica

Título
O Lobo do Mar
Autor
Jack London
Ano
1904
Deficiências representadas
  • Deficiência física
  • Deficiência visual (cegueira e baixa visão)

Resenha

“Somente então a crueldade do mar, sua inclemência e seu horror se revelaram para mim. A vida tinha se tornado reles e descartável, uma coisa bestial e desarticulada, um frêmito desalmado no lodo.” (O Lobo do Mar)

Trecho em destaque

John Griffith Chaney, conhecido pelo pseudônimo Jack London (São Francisco, EUA, 1876 - Glen Ellen, EUA, 1916), foi um escritor norte-americano que teve uma vasta obra publicada, sendo reconhecido em vida pelo público e pela crítica. Além da escrita literária, foi jornalista, ativista social e palestrante. O Lobo do Mar (The Sea Wolf) foi publicado em 1904. Tal como outras obras do autor, esse romance tem como temática a relação do homem com a natureza e apresenta aspectos autobiográficos, visto que o autor desempenhou várias atividades profissionais em sua juventude, entre elas, a de marinheiro pelo Oceano Pacífico. O livro é narrado em primeira pessoa por Humphrey van Weyden, um homem de posses, letrado, que tem uma vida boa e confortável e que se vê diante de uma experiência inóspita. Após um acidente marítimo, ele é resgatado por uma escuna e passa a conviver em um ambiente não só totalmente diferente de sua realidade, como também bastante hostil. Trata-se de uma embarcação de caçadores de focas, na qual ele é obrigado pelo Capitão Wolf Larsen a viver e a trabalhar enquanto durasse a viagem. Wolf Larsen é um homem impiedoso que se impõe pela força, brutal e cruel com sua tripulação. É uma figura tão complexa, para os padrões de Weyden, que lhe desperta, ao mesmo tempo, repulsa, admiração e horror. Weyden passa então a viver muitas situações desafiadoras, que o modificam como pessoa. O mais surpreendente para ele é constatar que Wolf Larsen, além daquela figura rude, é também um estudioso, uma pessoa que busca conhecimento, leitor de literatura e poesia. Eles estabelecem, então, uma série de diálogos e reflexões filosóficas sobre a alma humana; porém, para Larsen, o saber acumulado, junto com suas experiências de vida, desperta reflexões que o levam a pautar suas atitudes em um código de valores totalmente diferente daquele de Weyden. Dentre outras questões apresentadas na obra, Larsen acredita que a vida é uma luta dos mais fortes contra os mais fracos e baseia suas atitudes nessa concepção. Destacam-se três passagens no texto que remetem a pessoas com deficiência. Inicialmente, antes do acidente e do resgate, é um homem com deficiência física que se dirige a Weyden, dando sinais de que conhece as condições do mar e que corre perigo. Neste ponto, o fato de ele ter uma perna com deficiência remete a alguém que tem experiência, que já se expôs aos perigos do mar aberto e que sabe dos riscos implicados, a depender das condições do tempo. Posteriormente, como um indício da crueldade do Capitão, um dos tripulantes, o cozinheiro Mudridge, é lançado ao mar em represália à sua desobediência e tem o pé direito decepado por um tubarão, na altura do tornozelo. Ele é tomado por uma melancolia desesperada após esse fato. A despeito dos conflitos anteriores, tal situação desperta a compaixão de Weyden que, dentre tantos aprendizados, se dedica também aos cuidados dos tripulantes doentes na embarcação. Por fim, no desfecho da aventura, um dos personagens principais adoece e vai perdendo progressivamente suas funções motoras, sendo que a primeira delas é a visão, passando a lidar com a vulnerabilidade decorrente dessa nova condição. Do meio para o final do romance, uma nova personagem se insere no enredo, mudando um pouco o tom da obra e trazendo alguma esperança para a vida tão inóspita a bordo do Ghost. Trata-se de um romance de aventura, podendo ser classificado como literatura marítima, que não aborda de forma direta a questão da deficiência, porém, ao levantar várias questões que envolvem a alma humana e a convivência entre pessoas diferentes, no microcosmo social que se torna a escuna Ghost, isolada em alto-mar, também perpassa a temática da deficiência. Por: Renata Teixeira de Castro Tobaldini LONDON, Jack. O Lobo do Mar. Rio de Janeiro: Zahar, 2015.

Tags

  • romance
  • literatura americana
  • anos 1900
  • Estados Unidos
  • deficiência física
  • cegueira.

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