Ir para o conteúdo principal
OLDA

Prismas

Sobre Prismas, de Victoria Schechter

Prismas

Ficha técnica

Título
Prismas
Autor
Victoria Schechter
Ano
2022
Deficiência representada
  • Deficiência visual (cegueira e baixa visão)

Resenha

“Às vezes eu pensava que minha vida poderia ter sido tão mais fácil se todos me aceitassem numa posição em função deles, uma posição que não fosse a de fardo, da pessoa a ser cuidada, mandada, orientada – se eu fosse de fato uma engrenagem indispensável na maquineta Gonçalves-Leone” (Schechter, 2022).

Trecho em destaque

Victoria Schechter (Santos, SP, 1992) é escritora e pesquisadora, com formação em Letras pela USP. Posui pós-graduação em Formação de Escritores pelo Instituto Vera Cruz e mestrado em Escrita Modernista e Contemporânea pela University of East Anglia, na Inglaterra, focando sua análise na representação da cegueira na literatura. Possui deficiência visual de nascença e seus trabalhos, bem como seu romance, são voltados a desconstrução de estigmas em torno da PcD. Prismas, romance de estreia publicado em 2022, apresenta um enredo sensível e intimista sobre identidade, deficiência e relações humanas, a partir de uma protagonista cega que enfrenta os desafios de compreender a si mesma em uma sociedade estruturada pela normatividade. Nesse romance, o/a leitor/a acompanha um processo de adaptação e reconhecimento, desestigmatizando mitos sobre deficientes visuais/cegueira. A protagonista Isabel tenta, a todo tempo, se compreender em um fluxo de memórias que se organiza durante uma longa viagem de avião. Em um primeiro momento, a narrativa traz à tona sua conturbada infância e juventude, a partir das relações familiares e amorosas, além das sucessivas frustrações em uma sociedade que a julga incapaz. Já em uma fase mais estável, em que trabalha como cantora e professora de música, a personagem descobre uma gravidez não planejada, levando a alguns questionamentos sobre seu corpo e os desafios da maternidade - enquanto uma mãe cega. Sua trajetória evidencia os desafios do cotidiano e os processos subjetivos de formação da identidade, revelando as múltiplas dimensões de ser uma mulher com deficiência. Prismas rompe com estereótipos atribuídos a personagens com deficiência na literatura, principalmente por trazer uma protagonista cega. Embora, ela vivencie situações capacitistas, pois ainda é uma situação recorrente na sociedade, o romance traz, também, outras nuances que rompem com estereótipos direcionados a essas pessoas. Nesse sentido, a deficiência de Isabel não é algo a ser superado, pelo contrário, a protagonista é retratada como uma mulher comum, que vivencia experiências femininas diversas como relacionamentos, maternidade e sexualidade. O enredo revela, portanto, as subjetividades de uma mulher com deficiência, reafirmando o direito à existência plena, provocando, no leitor, a desconstrução de valores internalizados, além de trazer uma abordagem crítica referente às intersecções de gênero. Ao narrar a experiência de Isabel, Victoria Schechter expande as representações na literatura brasileira e promove uma reflexão plural e diversa sobre as experiências de um corpo com deficiência. Por: Gabriela Lasta SCHECHTER, Victoria. Prismas. São Paulo: Patuá, 2022.

Tags

  • romance
  • autoria feminina
  • contemporâneo
  • brasileiro
  • pessoa com deficiência.

Comentários

Os comentários chegam em breve.

Disponível em breve